Decorreu no passado dia 7 de Outubro, no Auditório do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve, a 2ª edição do Seminário de Reabilitação Urbana e Desenvolvimento Sustentável, organizado pela “FARO 1540” e que contou com a presença de cerca de uma centena de participantes, que puderam assistir a apresentações e debater temas como a Sustentabilidade de Cidades, Mobilidade Urbana, Recuperação de Edifícios, Regeneração Urbana, Paisagem e Património.

Como principais conclusões, a “FARO 1540” afirma que a reabilitação de edifícios degradados e a requalificação de ruas, passeios e praças é visto como uma ferramenta fundamental para a coesão da cidade, aumentando os seus níveis de qualidade de vida, atractividade e competitividade económica contribuindo de modo efectivo para a sua sustentabilidade e reforço da sua identidade e história.
No entanto, apesar de ser amplamente referenciada e debatida, a reabilitação urbana, não tem tido a aplicabilidade e a dimensão desejada, quer por falta de políticas incentivadoras, quer por falta de sensibilização e excesso de burocracia e entraves vários. Contudo, espera-se que os mil milhões de euros disponibilizados pelo programa Jessica (confirmado na última 3ª feira) aliado a um conjunto de medidas que visem a desburocratização dos processos de recuperação de edifícios e a existência de uma lei de arrendamento mais competitiva e flexível permita lançar de uma vez por todas o mercado de arrendamento no nosso país, condição considerada essencial para o sucesso da revitalização das cidades e optimização dos seus espaços.

Por outro lado, outro dos grandes temas debatidos neste seminário foi a mobilidade urbana, que também é um dos assuntos mais debatidos e que mais implicação tem na sustentabilidade das cidades. Para além dos acessos pedonais agradáveis há que aproveitar o nosso clima ameno para apostar na bicicleta criando uma rede de ciclovias seguras e apostar numa rede de transportes públicos eficientes, rápidos e cómodos coisa que até hoje não se conseguiu implementar no nosso país. Também é necessário abandonar a ideia de construir os equipamentos e as infra-estruturas colectivas de desporto, cultura, recreio e lazer fora das cidades, transformando as cidades em meros dormitórios, sem vida e sem alma e aumentando assim a dependência do transporte para esses locais.
As questões económicas não foram esquecidas e para muitos dos especialistas presentes neste evento a crise económica e financeira que agora estamos a atravessar é fruto de um desenvolvimento pouco sadio e baseado num conceito de capitalismo selvagem e sem ética, visando a maximização do lucro fácil em detrimento da qualidade de vida dos cidadãos e pelo respeito com o ambiente e seus recursos naturais. Para se ter uma pequena noção do que se passa, é de referir que apenas 2% dos fluxos mundiais de capitais está relacionado com a economia real. Ora isto é incomportável e o resultado está à vista! É urgente surgir uma nova economia e uma nova mentalidade que respeite o cidadão, que vise o seu bem-estar e que crie simbioses com o ambiente. Só assim será possível salvaguardar os recursos naturais e salvaguardar com qualidade e respeito a existência do ser humano e as gerações vindouras, sem nunca esquecer que apesar de este ser um problema global, as respostas mais eficazes são as que ocorrem à escala local.
Para finalizar, a organização agradece a ajuda preciosa dos seus parceiros, que contribuíram para o sucesso desta 2ª edição do Seminário de Reabilitação Urbana e Desenvolvimento Sustentável. A saber: Instituto Superior de Engenharia da UAlg, Banco Santander Totta, Vodafone, Revista Jardins, Jornal Arquitecturas, Jornal Barlavento, Lusoambiente e Hagábê Informática.