No seguimento da sessão de apresentação pública do anteprojecto da ponte, acessos e estacionamento para a Praia de Faro, que decorreu no dia 12 de Abril de 2012 no Salão Nobre da Câmara Municipal de Faro, a FARO 1540 – Associação de Defesa e Promoção do Património Ambiental e Cultural de Faro, com o estatuto de ONGA junto da Agência Portuguesa de Ambiente e de ONG junto do IGESPAR apesar de não ter sido convidada a assistir à referida apresentação e não ter sido consultada ao longo de todo o processo da implementação dos projectos do POLIS LITORAL RIA FORMOSA, vem pelo presente documento emitir algumas considerações e sugestões em relação a este assunto.
A “FARO 1540” felicita o projecto que, pelo que teve a oportunidade de apreciar e analisar, é globalmente interessante, visualmente harmonioso e que seguramente será uma oportunidade única para reformular toda a utilização da Praia de Faro, que como todos nós sabemos tem uma utilização muito pouco sustentável e é uma das zonas de maior risco do litoral português. Neste sentido e atendendo ao estado de degradação da actual ponte, a “FARO 1540” faz votos para que este projecto tenha implementação efectiva com a maior brevidade possível.
Dos aspectos mais fortes deste projecto, identificámos a existência de estruturas que ao longo da estrada para a praia vão permitir maior circulação de água e maior oxigenação na extremidade poente da Ria Formosa e o incentivo ao uso da bicicleta, dos passeios a pé e do contacto e da interacção com a natureza contribuindo sem margem de dúvidas para o aumento da qualidade ambiental da Ria Formosa e da qualidade de vida da população farense e de todos aqueles que visitam e habitam a Praia de Faro.
Contudo, sobre esta matéria convém referir que apesar do passadiço ser adequado e garantir a devida segurança a ciclistas e peões, o mesmo não se passa na nova ponte a criar, onde a inexistência de uma barreira física de protecção coloca em risco a vida e a integridade física de centenas de cidadãos que vão usufruir desta infraestrutura para entrarem ou saírem da Praia de Faro.
Neste sentido, parece de todo importante existir uma barreira física de protecção e de segurança para os ciclistas e não uma mera faixa vermelha pintada no chão com a indicação de ciclovia (já nos basta o risquinho azul espalhado um pouco por todo o Algarve), porque simplesmente se pretende utilizar esta área (destinada a peões e ciclistas) numa eventual segunda faixa de rodagem em caso de emergências ou evacuações rápidas. Sobre esta matéria a “FARO 1540” pretende deixar claro que do seu ponto de vista, a segurança e a vida dos cidadãos não pode ser colocada em causa em momento algum.
Assim, já que o projecto vai contar com fundos comunitários que vão financiar este investimento em 70 ou 80%, a “FARO 1540” considera de todo oportuno aproveitar estes fundos para a construção de uma ponte com duas faixas de rodagem mais uma faixa para uso exclusivo dos peões e ciclistas que poderá assim ser dotada de equipamentos de segurança e protecção.
Com uma 2ª faixa de rodagem para automóveis, esta poderá estar permanentemente aberta ao público (ou não) resolvendo o problema de “escoamento” em cenários de emergência e para os picos de trânsito, que provocam caóticos e morosos engarrafamentos que “entopem” por completo a estrada para entrada e saída da Praia de Faro. Estes engarrafamentos ocorrem diariamente na época de Verão, e pontualmente, ao longo de todo o ano (fins-de-semana, Páscoa e alguns feriados).
Quanto à introdução de parquímetros nos lugares de estacionamento dentro da praia, se estes de facto vierem a ser implementados, a “FARO 1540” lança o alerta para que os valores cobrados não sejam elevados, pois a Praia de Faro é uma estância balnear de uso frequente, isto é, utilizada quase todos os dias pelos farenses (durante o Verão) pelo que esta realidade terá forçosamente de ser bem equacionada nos valores a cobrar. Sugere-se ainda que estes valores, se forem cobrados, funcionem como uma “taxa ambiental” sendo investidos na defesa e na manutenção da qualidade ambiental e das condições oferecidas pela praia aos seus utentes.
Sobre esta matéria ainda é importante frisar que, actualmente, a política de transportes públicos para a Praia de Faro está pouco desenvolvida e os seus preços são pouco competitivos em relação ao automóvel gastando-se mais em transportes públicos (autocarro ou barco) do que se gasta na deslocação em viatura particular para percorrer os 12 km que separam a cidade de Faro da praia. Por isso, a “FARO 1540” considera que é fundamental repensar a política de transportes públicos para a Praia de Faro e criar melhores condições de acesso e esta estância balnear com a criação de várias paragens de autocarro ao longo da praia (pelo menos 3: na zona do restaurante Paquete, no Centro Náutico e outra na rotunda do “Zé Maria”) por forma a que os utentes da praia possam ser repartidos em toda a extensão da praia para evitar grandes caminhadas à “torreira” do Sol e minimizar as “bolsas” compactas numa pequena área de areal como acontece agora, sobretudo na entrada da praia.
Sobre o parque de estacionamento exterior à Praia de 925 lugares, capacidade semelhante à capacidade de parqueamento automóvel do Largo de São Francisco (cidade de Faro), a “FARO 1540” considera este valor algo excessivo sobretudo para um parque que terá utilidade somente no mês de Julho e no mês de Agosto, estando praticamente deserto nos restantes 10 meses do ano. Para combater este cenário de abandono e de forma a rentabilizar e a dinamizar esta área, a “FARO 1540” sugere uma redução na capacidade de parqueamento automóvel e que na área de estacionamento retirada seja construído um Parque de Autocaravanas, para cerca de 20 viaturas, com as infraestruturas de apoio adequadas a este tipo de equipamento.
Ainda neste parque de estacionamento, sugere-se que alguns lugares (dois a três) estejam integrados na rede de estacionamentos MOBI.E.
Faro, 23 de Abril de 2012
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