Decorreu no passado dia 22 (6ª feira), no Auditório do IPJ, em Faro, o Seminário intitulado “A problemática do escaravelho das palmeiras “Rhynchophorus ferrugineus” no Algarve“, que dada a actualidade do tema contou com uma plateia composta por técnicos e público em geral, proveniente de todo o Algarve, que praticamente encheu a sala.

A Faro 1540 agradece aos oradores por terem amavelmente aceite o convite em estarem presentes neste Seminário e por terem disponibilizado em partilhar um pouco do seu conhecimento com os participantes e agradece à empresa AT&F e à Delegação Regional do IPJ do Algarve o apoio dado a esta iniciativa.

Depois das comunicações apresentadas pelos oradores convidados, conforme o previsto no programa, procedeu-se a uma sessão de perguntas e respostas, procurando que a plateia tivesse a oportunidade de esclarecer as suas dúvidas junto dos especialistas presentes neste Seminário. Destacou-se a importância de apostar na prevenção como sendo o tratamento mais eficiente e económico no combate a esta praga, e foi considerado fundamental que as palmeiras mortas sejam rapidamente removidas e enviadas para destino final adequado a fim de evitar a proliferação deste escaravelho que continua a reproduzir-se durante mais algum tempo na palmeira e pode voar vários km.

Por fim, efectuou-se de forma sucinta a análise e as principais conclusões deste Seminário, ficando seguidamente retratado, pela Eng.ª Cristina Carvalheira, as suas principais conclusões:
Em 2007, surgiu em Portugal uma praga de insectos, sendo o seu nome científico de Rhynchophorus ferrugineus, conhecido vulgarmente por escaravelho das palmeiras, que ataca mortalmente algumas espécies de palmeiras, causando graves prejuízos económicos e ambientais. Originário das zonas tropicais, da Ásia e Oceânia, a sua expansão iniciou-se no Médio Oriente entre as décadas de 80 e 90. Atingiu a Espanha em 1993, a Itália em 2004 e Portugal em 2007, devido à exportação de palmeiras.
O Rhynchophorus ferrugineus é um escaravelho de cor vermelha-alaranjada, roedor, que se desenvolve no interior do tronco da palmeira, alimentando-se deste. Tendo uma preferência especial pela Palmeira das Canárias, de nome científico Phoenix Canariensis, muito comum em Portugal e Espanha. O Rhynchophorus ferrugineus faz um ataque localizado, alimentando-se da coroa da planta, matando uma Phoenix canariensis adulta em poucos meses! Os sintomas mais visíveis são o descaimento das folhas mais velhas e folhas novas com aspecto defeituoso recortado e que secam sem razão aparente. A morte chega quando a planta seca completamente. Uma vez destruída (morta) a palmeira, o Rhynchophorus ferrugineus move-se para outra palmeira, iniciando um novo ciclo.
O nosso património ornamental está a ser dizimado por esta praga, que tem causado a morte a inúmeros exemplares de palmeiras sendo algumas centenárias, como exemplo as palmeiras do Jardim Manuel Bívar em Faro, onde 5 exemplares de Phoenix Canariensis foram abatidos. Já nada podia ser feito para as salvar. É de todo o interesse e importância, o combate a esta praga, para que se possam salvar o maior número possível de palmeiras. Dada a gravidade desta praga, a União Europeia considerou esta praga de luta obrigatória através da Decisão 2007/365/CE que estabelece medidas de emergência contra a sua propagação.
Todos nós em consciência social temos de ter a sensibilidade para combater esta praga, que tanto pode começar no nosso jardim como pode chegar ao nosso jardim vindo de palmeiras próximas (até 5 km). Ataca palmeiras de privados ou de jardins públicos, pois não tem noção das delimitações.
A luta contra a disseminação desta praga é particularmente difícil em virtude do insecto desenvolver-se no interior da planta o que lhe confere protecção contra a acção dos insecticidas. O problema adensa-se porque é difícil identificar a infestação antes de uma fase avançada. Pois uma palmeira pode estar infectada, mesmo que não mostre sintomas visíveis durante meses. A melhor opção é a prevenção mas mesmo assim não há garantia de erradicação da praga.
Atendendo ao facto de não existir para já um plano regional de apoios é aconselhável a particulares fazer tratamentos preventivos e a remoção das palmeiras mortas, para que não sejam um foco de infestação para as palmeiras próximas que ainda se encontrem em bom estado. Quando se plantar novas palmeiras deve-se escolher outro tipo de palmeiras que sejam mais resistentes a esta praga. Em última atitude a não colocação de palmeiras é um aspecto a considerar optando por outro tipo de árvores ornamentais.
Tendo a noção dos prejuízos económicos causados pela praga é urgente que se tome uma atitude – combater a praga! Que haja uma rápida actuação das entidades Públicas, nomeadamente regionais, ao divulgar procedimentos e mobilizar meios e protocolos para que o preço do abate diminua e um plano de apoios para que todos possam beneficiar, sobretudo a região!
